Indicado para ser diretor administrativo da Santa Casa de Campo Grande, como o gestor hospitalar, o contador e administrador de empresas José Adolfo Oliveira da Silva, 56 anos, é acusado de quebrar um plano de saúde e prejudicar cerca de 3 mil usuários em Salvador (BA). Conforme a denúncia do MPE (Ministério Público Estadual) da Bahia, o Plano Assistência Médica Integral, do qual Silva era um dos gestores com José Andrade Brito, implementou “práticas abusivas” e desapareceu de forma "sorrateira" do mercado.
Em 2006, a promotora Joseane Suzart Lopes da Silva, denunciou que o plano negava aos usuários vários exames, limitava o atendimento e o período de internação hospitalar, não cobria as faturas geradas e incentivava a suspensão indevida dos serviços, provocando o descredenciamento sem comunicar à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).Ela ainda disse que os usuários do plano eram obrigados a pagar as mensalidades, mas quando precisavam de atendimento médico, eram obrigados a arcar integralmente com as despesas médicas ou recorrer ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Também oferecia assistência odontológica sem ter autorização do Conselho Regional de Odontologia.
Emprestei nome -”Emprestei o nome para esta empresa”, justifica Silva, em entrevista ao Campo Grande News na manhã desta sexta-feira. Ele admitiu que foi o responsável pelo plano por dois anos, que chegou a contar com quase 3 mil usuários.
Sobre o plano ter quebrado e desaparecido de forma "sorrateira", como acusa o MPE/BA, ele explicou que se trata de uma realidade dos pequenos planos de saúde, que estariam “fadados ao fracasso”. “Só os grandes e com estrutura própria têm condições”, analisou.
“Não tive proveito do (Plano de Assistência Médica) Integral”, afirmou, destacando que se viu obrigado a se desfazer do patrimônio para honrar as dívidas trabalhistas e outros débitos deixados. “Não tenho mais patrimônio, vendi para saldar dívidas trabalhistas”, comentou, destacando que até hoje ainda tem algumas pendentes para pagar.
Ele destacou que o processo ainda tramita na Justiça da Bahia e acabou respondendo sozinho pela quebra do plano de saúde em Salvador.
Surpreso -Administrador geral da Santa Casa, Salim Cheade, informou que não sabia desta parte do passado do consultor, que chegou ao hospital em agosto do ano passado como parte da equipe da SPDM, unidade da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
“Este cidadão está ajudando muito”, ressaltou Cheade, sobre o trabalho realizado por Silva no hospital, como avaliações administrativas, contábil, faturamento, estoque, armazenamento, logística de distribuição de materiais e medicamentos, entre outros. O desempenho de José Adolfo Oliveira da Silva no período de levantamento pela Unifesp o credenciou para ser nomeado como novo membro da junta interventora, no lugar do contador Edson da Mata.
Experiência - Silva já foi secretário municipal de Saúde de Lins, em São Paulo, onde participou da intervenção na Santa Casa. Com uma dívida de R$ 17 milhões e faturamento mensal de R$ 700 mil, o hospital passou pelo mesmo processo realizado na de Campo Grande.
Ele também foi funcionário da Golden Cross de 1985 a 1999, quando integrava parte da equipe de executivos que geria os hospitais adquiridos pela empresa. Foi gestor dos hospitais em Salvador, no Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Como diretor administrativo, junto com Pedro Chaves dos Santos Filho e Salim Cheade, José Adolfo Oliveira da Silva vai gerir o orçamento da Santa Casa, que deverá ficar em torno de R$ 100 milhões neste ano.
Publicado no site http://www.campogrande.news.com.br
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009 11:09
Edivaldo Bitencourt





