Um dos setores mais importantes da Santa Casa, a UTI Neonatal deve ser fechado na próxima terça-feira, dia 8 de setembro. Cinco dos dez leitos do setor UTI Neonatal da Santa Casa estão quebrados. O ar condicionado já não refrigera o ambiente restrito. Em nove anos de funcionamento, não houve reparos e aquisições de materiais de extrema urgência. A denúncia foi feita nesta tarde sob temperatura (externa) de 31ºC pelos pediatras Maria Cláudia Rosseti e José Mendes, chefe do setor.
Esgotados e visivelmente nervosos, os pediatras mostraram ao Midiamax a situação. Aparelhos inutilizados encostados, mães que acabaram de ter os bebês acompanham os filhos, que inspiram cuidados intensivos, em ambiente de muito calor.
“Se morrer pacientes aqui, nós seremos culpados”, desabafa a médica. Ela explica que a única saída é dar alta aos pacientes e transferi-los para a UTI Pediátrica Intermediária que conta com dez leitos.
“Estou há dois meses sem dormir direito. Chego aqui às 4 horas para poder monitorar os pacientes. Pela lei, UTI Neonatal tem que ter dois médicos visitadores, um para de manhã e outro para a tarde. Demitiram nossos dois pediatras”, detalha Mendes.
Com a falta de estrutura de trabalho, o setor não atrai profissionais. Segundo Mendes e Maria Cláudia Rosseti, o hospital alega contenção de despesas, mas até agora a nova diretoria não discutiu e apontou soluções para o problema.
Tanto o CRM (Conselho Regional de Medicina) já vistoriou o setor como o MPE (Ministério Público Estadual). Respostas ainda estão sendo esperadas.
Um assessor do MPE esteve nesta tarde no hospital.
Risco
O diretor do Sindicato dos Médicos, João Batista, através da assessoria de imprensa da entidade, enviou o comunicado que será apresentado para a Junta Interventora do Hospital.
“A partir do dia 8, UTI não receberá novos pacientes. No dia 20 de julho, os médicos pediatras que trabalham na UTI neo-natal da Santa Casa de Campo Grande encaminharam à diretoria clínica do hospital e também ás Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, uma CI informando as péssimas condições em que a unidade estava funcionando. Até o momento os pediatras não obtiveram nenhuma resposta dos órgãos e da direção do hospital”.
O risco de contaminação do setor, o qual pacientes prematuros acima de 500 gramas e de até 28 dias lutam para sobreviver. Nas incubadoras, a respiração dos pequenos é forte.
Há somente quatro monitores oxímetros, que controlam a respiração. Teriam que ser dez, um para cada leito.
Mendes diz que a UTI conta apenas com duas bombas de seringa para aplicar medicamentos pelas frágeis veias dos recém-nascidos. Seriam necessários de 10 a 20 desse instrumento médico, explica.
Só há um aparelho que monitora a pressão arterial. Seriam necessários cinco.
Medo
Há quatro dias no setor, Adriana Aranda, 26, acompanha o filho Guilherme que nasceu na oitava semana de gestação. “Ele vai ser transferido daqui. Tenho medo de ele não estar preparado. Meu filho nasceu com infecção no pulmão. Aqui, vejo o tanto que o pessoal sofre sem condições de trabalho”, diz a mãe que ainda se recupera da cesariana.
O tratamento fototerapia, o qual uma luz forte é colocada na criança para tratamento contra a icterícia, ficou comprometido com o problema no ar condicionado que já dura quinze dias. “Tem que fazer pouca fototerapia senão já dá febre nele. Esse sol aqui na janela e esse calor atrapalha o tratamento”, finaliza.
A assessoria de imprensa da Santa Casa informou que os procedimentos para consertar o ar refrigerados já foram tomados. Sobre a falta de cinco dos dez leitos, a informação é de que a demanda do hospital está concentrada nos pacientes que estão no Pronto-Socorro. O setor fica com 90% dos casos de emergência.
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